Profissões bizarras que existem de verdade (e quanto cada uma paga)
Empurrador de metrô, dormidor, testador de toboágua, babá de panda, cheirador de axila, provador de ração, limpador do Burj Khalifa, mergulhadores e extrator de veneno: quanto cada uma paga.
Prefere assistir? São uns 12 minutos.
Tem gente que ganha para dormir, gente que ganha para cheirar axila e um homem que mergulha no esgoto sem enxergar nada. Parece lenda de internet, mas são empregos de verdade, com reportagem, estudo e, quase sempre, salário conhecido.
Aqui estão dez, do metrô de Tóquio ao Instituto Butantan, com os salários convertidos para reais pelo câmbio de 16 de outubro de 2026.
A resposta curta
- Empurrador do metrô (Tóquio): hoje é bico de estudante, das 7h às 10h. Paga ¥ 1.500 por hora, uns R$ 48.
- Dormidor profissional: são vagas temporárias. A Casper, marca de colchões, pagou US$ 25 por hora em 2022, uns R$ 126. E a NASA já pagou € 16.500 (uns R$ 93 mil) por 60 dias deitado.
- Testador de toboágua: uma agência britânica contratou um em 2013, por £ 20 mil por ano, proporcionais a seis meses (uns R$ 134 mil por ano).
- Babá de panda: os 200 mil iuanes de 2014 eram campanha; o salário real não é divulgado.
- Cheirador de axila: é assim que se testa desodorante. Nenhuma empresa publica quanto paga.
- Provador de ração: prova e quase sempre cospe. No Reino Unido, de £ 20 mil a mais de £ 50 mil por ano (R$ 134 mil a mais de R$ 335 mil), em dado de 2015.
- Limpador do Burj Khalifa: um novato ganhava US$ 600 por mês em 2014, uns R$ 3 mil.
- Mergulhador de bolinha de golfe: muitos ganham por bolinha, de 10 a 12 centavos de dólar cada; num dia bom, cerca de US$ 800 (uns R$ 4 mil).
- Mergulhador de esgoto (Cidade do México): em 2018, 11 mil pesos por quinzena, uns R$ 6 mil por mês.
- Extrator de veneno (Butantan): o veneno de uma cascavel americana custa 2,8 vezes o ouro em catálogo; o salário do extrator não é público.
10. Existe gente paga para empurrar passageiros no metrô de Tóquio?
Existe: é o oshiya, "o que empurra". Segundo a revista japonesa Bunshun, a operadora JR East contrata estudantes para um bico nos dias úteis, das 7h às 10h: organizar a fila, orientar quem entra e sai, cuidar da beirada da plataforma e, quando o vagão não comporta mais ninguém, empurrar as costas do último passageiro para a porta fechar.

A função começou na estação de Shinjuku com um nome educado: "equipe de arrumação de passageiros". No Japão, a lotação é medida em porcentagem da capacidade do vagão; a 250%, não dá para mexer nem as mãos. A média de Tóquio no rush caiu de 221%, em 1975, para 143% no ano fiscal de 2025 (Nippon.com).
Um funcionário anônimo contou à revista que, com guarda-chuva preso na porta, a ordem é apertar o botão de emergência, e que em abril e às segundas mais gente passa mal no aperto.
Fonte Bunshun, parte 2 (https://bunshun.jp/articles/-/81666).
Quanto paga: ¥ 1.500 por hora para quem começa, mais ¥ 50 a cada renovação, segundo a Bunshun, em 2025. Dá cerca de R$ 48 por hora, ou R$ 144 por uma manhã de três horas.
Fonte Bunshun, 08/09/2025 (https://bunshun.jp/articles/-/81665).
9. Dá para ganhar dinheiro dormindo?
Dá, mas não como carreira: são vagas temporárias. A mais famosa é a da Casper, marca de colchões americana, em 2022. Inspirada num vídeo do TikTok de alguém dormindo numa loja, a marca contratou gente para dormir nas lojas e fazer vídeos sobre sono. O uniforme era o pijama, e o anúncio pedia "capacidade excepcional de dormir", até com barulho.
Na Índia, a empresa Wakefit paga um "estágio de sono": nove horas por noite, durante 60 dias, com um monitor conferindo. Na quinta edição, foram cerca de 200 mil inscrições para 10 vagas (Mediainfoline, julho de 2026).
E tem a versão científica. Em 2019, a NASA e as agências espaciais alemã e europeia pagaram € 16.500 a cada um de 24 voluntários (cerca de R$ 93 mil, segundo a DLR e a NBC) para passar 60 dias na cama, com a cabeça 6 graus abaixo dos pés, comendo deitados. Não era para dormir: o repouso nessa posição ajuda a estudar o corpo de um astronauta.
Quanto paga: a Casper pagava US$ 25 por hora, em meio período durante um mês, e contratou três pessoas (ABC7 e CNN, 2022). São cerca de R$ 126 por hora.
8. Quanto ganha um testador de toboágua?
O caso real mais conhecido pagava £ 20 mil por ano, proporcionais a um contrato de seis meses. A vaga foi aberta em 2013 pela First Choice, agência de viagens britânica do grupo TUI: descer os toboáguas dos hotéis da empresa, dar nota e publicar as avaliações. Os critérios eram o tamanho do "tchibum" e a adrenalina, e a inscrição era um vídeo de 30 segundos.
Cerca de 2 mil pessoas se candidataram. Os cinco finalistas fizeram as provas em Hurghada, no Egito, e ganhou o britânico Seb Smith, de 22 anos (ABC, abril de 2013).
Testar toboágua também é engenharia. Na Nova Zelândia, o Looping Rocket tem um piso que se abre debaixo dos pés: a pessoa cai de 12 metros num tubo de 75 metros, a até 40 km/h. Antes da abertura, foi testado para calibrar a água (Otago Daily Times, 2025).
Quanto paga: £ 20 mil por ano, proporcionais, num contrato de seis meses (cerca de £ 10 mil pelo período), com viagens pagas e sete noites de férias para dois, segundo a Travel Weekly, em 2013. Em reais, uns R$ 134 mil por ano, ou R$ 67 mil pelos seis meses.
7. Babá de panda existe? Quanto ganha?
Existe, e às vezes vem com fantasia. No centro de Wolong, na China, tratadores entram no cercado vestidos de panda dos pés à cabeça, com a roupa impregnada de xixi e cocô de panda, para o filhote que vai voltar à natureza não se acostumar com gente (National Geographic, 2014).

O dia a dia é menos fotogênico. Na base de Bifengxia, a tratadora chega antes das 9h, confere a toca, limpa e dá comida quatro vezes por dia (China Daily, 2019). O filhote nasce rosado, cego e do tamanho de um tablete de manteiga; já o adulto não é bicho de colo: no zoológico do Smithsonian, nos Estados Unidos, ninguém da equipe entra no recinto com um panda adulto.
Quanto paga: em 2014, uma vaga de "babá de panda" anunciava 200 mil iuanes por ano, com carro, comida e casa (ABC, 2014), cerca de R$ 151 mil. Mas era uma campanha de divulgação, e o próprio centro disse que os tratadores nunca tinham ganhado tanto (NBC, 2014). O salário real não é divulgado.
6. Existe gente paga para cheirar axila?
Existe: é o juiz de odor, e é assim que se testa desodorante. O produto vai numa axila só, e a outra fica sem nada, para comparar. Depois de 12, 24 e 48 horas, um juiz treinado cheira as duas e dá nota de 0 a 10. É daí que vem o "48 horas" do rótulo (Dermatest).
Em alguns laboratórios, uma divisória separa os dois: o voluntário fica de braço erguido de um lado, o juiz encosta o nariz num tubo que atravessa a parede, e um não vê o outro (Princeton Info, 2014). Passa um voluntário a cada minuto ou minuto e meio, com dois juízes por amostra, e ninguém pode lavar a axila durante o teste.
Para entrar, tem prova: pôr em ordem potes de ácido isovalérico, o cheiro de chulé, do mais fraco ao mais forte. De cada dez no treino, só duas ou três pessoas ficam. Um juiz, Barrie Drewitt, contou que dá nota até para quem senta ao lado dele no metrô (Princeton Info).
Quanto paga: não há dado confiável. As empresas não publicam o salário dos juízes, e os valores da internet vêm de agregadores de vagas e blogs, sem confirmação.
5. Existe gente que prova ração de cachorro e gato?
Existe, e quase sempre cospe. O provador abre amostras de cada lote, cheira, mastiga e confere textura, ingredientes e cozimento. Mas a palavra final é do bicho: no centro de pesquisa da Royal Canin, na França, com 377 cães e gatos, cada gato escolhe às 16h entre duas bandejas sobre balanças, e a que esvazia mais ganha (The New York Times, 2026).
Não é para qualquer estômago. Num estudo de 2009, de Gary Pickering, 11 pessoas provaram ração úmida, e cerca de um terço dos candidatos desistiu, quase todos por não gostar.
Fonte Mental Floss, 2010 (https://mentalfloss.com/article/26562/inside-surprisingly-delicious-world-cat-food-taste-testing).
Em outro estudo, na Universidade Estadual do Kansas, cinco provadores treinados avaliaram 24 rações secas e anotaram características como "curral", "papelão" e "óleo rançoso".
Quanto paga: no Reino Unido, cerca de £ 20 mil por ano para quem começa e mais de £ 50 mil com experiência, segundo Philip Wells, da marca Lily's Kitchen, ao The Guardian em 2015. Em reais, de R$ 134 mil a mais de R$ 335 mil por ano.
4. Como limpam os vidros do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo?
Com gôndolas penduradas em 12 máquinas que correm em trilhos na fachada, de cima para baixo, com água e sabão comum. O prédio, em Dubai, tem 828 metros e cerca de 24.800 janelas. Até 36 limpadores trabalham nele, e uma volta completa leva três meses (AFP e Khaleej Times, 2010). Quando terminam lá embaixo, voltam ao topo e recomeçam: são quatro limpezas por ano (Gulf News, 2019).

Eles seguem a sombra do prédio para fugir do sol do deserto e param com vento acima de 20 nós (uns 37 km/h). No topo e na agulha, onde as máquinas não chegam, é rapel (Gulf News). Tom Cruise escalou esse vidro uma vez, em "Missão: Impossível – Protocolo Fantasma" (2011); para eles, é rotina.
Quanto paga: em 2014, o nepalês Dipak Ghal, limpador do Burj, contou à CNN que ganhava US$ 600 por mês como novato, uns R$ 3 mil. Hoje, a média de limpador de janela em Dubai no site Indeed é de 2.076 dirhams por mês (setembro de 2026), cerca de R$ 2,9 mil: uma estimativa com poucos salários informados, mas na mesma faixa.
3. Mergulhador de bolinha de golfe: quanto ganha e o jacaré morde?
Morde. O trabalho é mergulhar às cegas nos lagos dos campos de golfe, tatear a lama e encher sacos de bolinhas, que depois são lavadas e revendidas. Na Flórida, os lagos têm jacaré. O mergulhador Jim Best contou à CNN, em 2025, que um jacaré de 1,2 metro mordeu o tornozelo dele a uns 5,5 metros de fundura, e que em 2007 viu um de cerca de 4,3 metros sair da água rosnando com um colega ainda submerso. Em 2017, Scott Lahodik teve o braço mordido por um jacaré de uns 3 metros e precisou de cirurgia (Fox 35).
No auge, Best tirava até 2 milhões de bolinhas por ano. Só do lago do buraco 17 do TPC Sawgrass, o do green no meio da água, saem umas 70 mil por ano, e ele chegou a tirar 6 mil num mergulho de cinco a seis horas (CNN, 2025).
Quanto paga: não há salário oficial. Muitos mergulhadores ganham por bolinha: o dono de uma empresa de bolinhas recuperadas contou ao programa Freakonomics Radio que paga de 10 a 12 centavos de dólar por bolinha (uns R$ 0,50 a R$ 0,60). Num dia bom, um mergulhador tira cerca de 7 mil bolinhas e ganha uns US$ 800, perto de R$ 4 mil; quem faz isso o ano todo pode passar dos seis dígitos em dólar por ano.
Fonte Freakonomics Radio, "Used Golf Balls" (https://freakonomics.com/podcast/used-golf-balls/).
2. Existe mergulhador de esgoto? Quanto ganha?
Existe. Na Cidade do México, Julio César Cu Cámara mergulha no esgoto desde 1983 para desentupir bombas e grades. Com roupa fechada e capacete de metal, recebe ar por uma mangueira e é baixado num cesto para dentro da água marrom. Com 10 centímetros de fundura, já não enxerga nada: trabalha pelo tato, guiado por um cabo que dois colegas seguram lá em cima. Já encontrou móveis, eletrodomésticos, carros e vacas (Chilango, 2022) e, uma vez, metade de um cavalo (Máspormás, 2016).

O equipamento passa de 45 kg, e ele continuava descendo aos 65 anos (Milenio, 2025). O órgão de águas da cidade já teve dez mergulhadores; hoje só resta ele (Máspormás, 2016). À revista Chilango, disse que o que mais gosta no trabalho é "sair vivo e ter feito um bom trabalho". Ele não é o único do mundo: há mergulhadores de esgoto também na Alemanha.
Quanto paga: 11 mil pesos por quinzena, segundo a Newsweek en Español, em 2018. Dá uns R$ 3 mil por quinzena, ou cerca de R$ 6 mil por mês.
1. Como é tirado o veneno de cobra no Butantan?
Com a cobra dormindo. No Instituto Butantan, em São Paulo, onde vivem cerca de mil cobras, a serpente passa uns cinco minutos num recipiente com gás carbônico e adormece. O especialista massageia as glândulas por 5 a 8 segundos, e o veneno pinga num béquer coberto com plástico, sobre gelo. Sai cerca de 0,45 mililitro por vez, e cada cobra só passa por isso a cada 60 dias. Entre 1908 e 1962, uma cobra vivia em média 15 dias no serpentário; hoje, uma jararaca vive uns oito anos lá.
Fonte Grego e equipe, Instituto Butantan, 2021 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7856910/).

O veneno vai para cavalos, em doses pequenas, e o plasma deles vira o soro que salva quem é picado (National Geographic Brasil, 2023).
Vale mais que ouro? Depende da cobra. No catálogo da Sigma-Aldrich, fornecedora de laboratórios, 1 grama de veneno da cascavel-diamante americana custa US$ 370 (cerca de R$ 1.870), e o grama de ouro estava em uns US$ 134 (R$ 677) em 13 de outubro de 2026: 2,8 vezes mais. Já o veneno da naja-real custa menos que o ouro.
Quanto paga: o salário do extrator do Butantan não é público. No concurso do instituto de 2025, o cargo de pesquisador oferecia R$ 5.037,04 por mês, segundo a IstoÉ. É outro cargo, mas dá a medida: o líquido mais caro da lista é tirado por gente com salário comum.
Fotos do Wikimedia Commons: SnippyHolloW, Raimond Spekking, Active Magazine, Joalpe e Mike Peel (CC BY e CC BY-SA); NASA e Vassil em domínio público. Algumas cenas foram feitas com IA.
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